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Egípcios celebram um ano de revolta contra Mubarak
Milhares de egípcios convergiram ontem em direcção a praça de Tahrir, no Cairo, para marcar o primeiro aniversário da revolta que derrubou o presidente Hosni Mubarak.
Milhares de islamitas, liberais, apoiantes da esquerda e cidadãos comuns juntaram-se na praça que simboliza a revolução, no centro do Cairo, depois de uma noite de chuva torrencial, aclamado por muitos como um bom presságio.
Os manifestantes carregavam cartazes com várias mensagens, reflectindo as suas diferenças sobre em que data se devia simbolizar.
Os Irmãos muçulmanos, que dominam o novo Parlamento, estavam presentes para celebrar o primeiro aniversário de uma revolta popular que derrubou o presidente Hosni Mubarak.
Mas vários outros grupos, incluindo os movimentos pró - democracia que foram os motores da revolta, afirmaram que eles estavam lá para continuar a sua revolução inacabada e exigir a saída do Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA), que governa o Egipto desde a renúncia de Mubarak.
A data simbólica de 25 de Janeiro, “ antigo dia da polícia”, tornou-se “dia da revolução”, e foi declarado feriado, em memória dos acontecimentos que levaram à queda do Governo a 11 de Fevereiro.
No entanto, a repressão militar dos distúrbios ocorridos nos últimos meses e os inúmeros julgamentos de activistas por tribunais civis e militares contribuiu para o actual desalento, num país com cerca de 83 milhões de habitantes também confrontado com graves problemas económicos e sociais.
A maioria da população do Egipto vive no limiar da pobreza, uma situação agravada com uma queda de 30 por cento no turismo em 2011, uma das principais fontes de rendimento do país, e a debandada dos investidores estrangeiros devido ao clima de instabilidade política.
Numa tentativa de corrigir uma imagem muito degradada, os militares anunciaram numerosas celebrações: parada naval em Alexandria, festivais aéreos em diversas cidades, fogo de artifício, emissão de moedas comemorativas e promessas de empregos públicos para os milhares de feridos na revolta popular de Janeiro e Fevereiro de 2011.
Entretanto, a Junta Militar egípcia afirmou ontem que deixará o poder em 30 de Junho, após a realização de eleições presidenciais, e prometeu revelar então “os segredos e verdades” anteriores à revolução, movimento que ontem completou um ano.
Em comunicado, o Conselho Supremo das Forças Armadas, máxima autoridade do país, ressaltou que deixará os quartéis para se dedicar somente a defender “a terra, o céu e o mar do Egipto”, como reivindicam os activistas e grupos políticos críticos ao actual papel de governo.
Os dirigentes militares divulgaram os próximos passos do período de transição: a suspensão da Lei de Emergência - vigente desde 1981, a realização de eleições para a Câmara Alta do Parlamento, a redacção de uma nova Constituição e a convocação de eleições presidenciais.
Fonte: O Jornal Noticias

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