Acordo do Fundo de Investimento deverá ser assinado em Cahora Bassa por Sócrates
O primeiro-ministro português, José Sócrates, chega hoje à noite a Moçambique, acompanhado por cinco ministros portugueses.
Nomeadamente, dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado; da Defesa, Augusto Santos Silva; da Economia, Vieira da Silva; do Trabalho, Helena André; e da Cultura, Grabriela Canavilhas.
Os secretários de Estado da Cooperação, do Tesouro, do comércio, dos transportes e da Educação também farão parte da comitiva de Sócrates, que já anunciou que a visita, que terminará no dia 5, sexta-feira, terá um carácter essencialmente económico.
Para isso, 60 empresários acompanham também o primeiro-ministro português. Como o “O País Económico” anunciou na sua última edição (sexta-feira, dia 26) chegarão ao aeroporto de Maputo representantes de empresas já fixadas em Moçambique, tais como Visabeira, e Mota-Engil, e outras que, por enquanto, apenas contam com distribuidores no país. Espera-se que os mesmos venham com interesses de ampliação dos seus negócios em Moçambique.
A comitiva portuguesa será recebida pelo primeiro-ministro moçambicano, Aires Ali; ministro dos negócios estrangeiros, Oldemiro Baloi; ministro das Finanças, Manuel Chang; embaixador de Moçambique em Portugal, Miguel Mkaima, entre outros.
O seminário
Como Mário Godinho de Matos, embaixador de Portugal no país, afirma, “as relações entre Portugal e Moçambique nunca estiveram melhor”. O ponto do mudança aconteceu em 2007, aquando da reversão de Cahora Bassa.
E as boas relações políticas abrem portas às boas relações económicas.
Esta visita, para além do carácter económico, está mais especificamente ligada às energias renováveis, um sector em que Portugal é dos mais fortes na Europa.
Assim, o seminário que terá lugar na quinta-feira (ver caixa com programa da visita), abordará sobretudo esta área, juntando empresários moçambicanos e portugueses.
Os acordos
Na visita, espera-se que vários acordos sejam assinados. Um deles é respeitante ao Fundo de Investimento, que será anunciado por Sócrates em Cahora Bassa, quinta-feira. O fundo, de 90 milhões de euros, deverá ser investido em energias renováveis, passando por um acordo com empresas portuguesas.
O Banco Luso-Moçambicano, ratificado por Teixeira dos Santos (ministro das finanças português), em meados do ano passado, que estava previsto para arrancar no primeiro trimestre deste ano, poderá ter mais desenvolvimentos esta semana.
Programa
Dia 3
- Encontro com Armando Emílio Guebuza, na presidência;
- Reunião plenária entre os dois governos, também na presidência;
- Assinatura de alguns acordos;
- Visita à Assembleia da República e encontro com a presidente da AR;
- Banquete oficial na Ponta Vermelha;
- Visita a vários projectos sociais apoiados pelo Estado português.
Dia 4
- Visita a Cahora Bassa;
- Encerramento do Seminário económico entre empresários moçambicanos e portugueses.
Dia 5:
Mais de 200 empresas portuguesas, ou moçambicanas de interesses portugueses, operam actualmente em Moçambique, com o sector financeiro a liderar, seguindo-se a hotelaria e negócios.
A Lusa questionou responsáveis do sector económico sobre a posição de Portugal no país, ao que responderam: “É invejável”.
Em Maputo, basta ir a um supermercado para verificar a presença de produtos portugueses em grande quantidade, mesmo nos estabelecimentos sul-africanos, como a cadeia Shoprite. Nos supermercados, as águas portuguesas rivalizam com as sul-africanas (quando não são as únicas à venda), tal como os vinhos, o leite ou os sumos. O azeite é português e as azeitonas também. os cafés, algumas marcas de cervejas e enchidos. “Cultura é tudo, incluindo a barriga. As pessoas estão habituadas a certos produtos. Mas não considero que Portugal esteja a ser privilegiado em concursos por parte do governo de Moçambique. temos é vantagens comparativas. fazer formação com portugueses não é a mesma coisa que com sul-africanos”, disse, à Lusa, uma fonte ligada à área dos investimentos portugueses. Portugal está representado em primeiro lugar na banca - através especialmente do Millennium bim e do BCI -, no lazer (hotéis), nas empresas de construção civil e nos serviços (tv cabo, teledata, água...). Está também na consultadoria, na informática, nalguma indústria (tubos, cimentos...), e vai estar em breve na pasta de papel, com o projecto da Portucel, o maior investimento português em Moçambique.
Fonte: opais


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